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Gasolina já custa R$ 3,15 no DF
31-03-2014

O motorista Idalécio Damasceno Souza, de 63 anos, desistiu de ir de carro para o trabalho. Resolveu deixar em casa e enfrentar o transporte público diariamente para evitar o gasto com combustível. Ontem, nos postos da Asa Norte, os preços estavam sendo reajustados pela segunda vez este ano. Nas placas, o valor de R$ 3,09 foi substituído por R$ 3,15 — uma alta de 1,94%. A gasolina aditivada está ainda mais cara (R$ 3,18). “Só o consumidor sai lesado nessa história. Passei a tirar meu carro da garagem somente nos fins de semana”, ressaltou.

Levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP) revelou que, nas últimas três semanas, a média do preço cobrado pelo litro da gasolina e do etanol em todos os estados e no Distrito Federal, subiu 0,67% e 2,3%, respectivamente. Hoje, um novo levantamento será divulgado e a expectativa do setor é que comprove mais um reajuste no valor médio nacional na última semana.

A justificativa para a alta, segundo os representantes do varejo, é o aumento no preço do etanol, nas indústrias e distribuidoras. A gasolina vendida nos postos tem em sua composição 25% de álcool. Segundo informações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a elevação se deve à procura crescente durante o período de entressafra entre janeiro e abril.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do DF (Sindicombustíveis), José Carlos Ulhôa Fonseca, publicou nota no site da instituição, responsabilizando as distribuidoras de combustíveis e a indústria pelo reajuste. “Os postos têm recebido pequenos e gradativos aumentos nas faturas recebidas de suas respectivas distribuidoras, tornando inviável manter preços inalterados nas bombas de combustíveis”, disse em nota.

De acordo com o sindicato, as usinas de álcool elevaram os preços do etanol hidratado — vendido para carros flex, em 15,2%, desde dezembro de 2013. Já o etanol anidro, que é misturado na gasolina, subiu menos 3,53%. A Unica adiantou que o álcool sofrerá mais reajustes este ano devido a “uma longa estiagem” durante o verão. “O impacto da seca, que afetou a colheita da cana, ainda será repassado aos preços.”

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) afirmou, por meio da assessoria, que não tem gerência sobre os valores cobrados pelas distribuidoras e ressaltou que cada revendedora pode fazer o reajuste que achar melhor.

  

* Texto de Guilherme Araújo, Correio Braziliense, publicado em 21 de março.




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