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Revendedores de combustíveis temem perder negócio com lojas de conveniência
16-04-2015

Os grupos Sonae e Jerónimo Martins estenderam a concorrência que disputam nos hiper e supermercados às lojas de conveniência dos postos de abastecimento de combustível mas a entrada, mais recente, do Pingo Doce neste negócio está a deixar os revendedores “altamente preocupados”. De acordo com a Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis (Anarec), as vendas feitas nestes estabelecimentos já representam cerca de metade das receitas das bombas e as parcerias entre petrolíferas e cadeias da grande distribuição acabam por tirar “margem aos concessionários”, diz João Durão, presidente da associação.

“Não há dúvida de que as lojas e todo o negócio paralelo são fundamentais para a sobrevivência dos postos porque as margens nos combustíveis são cada vez mais apertadas e o que se ganha já está muito esmagado”, disse ao PÚBLICO. Com as cadeias de supermercados a operar a vertente de retalho alimentar ou de outros produtos “é mais um negócio que tiraram aos concessionários”. “Eu podia negociar o meu café com quem entendesse. Agora são as petrolíferas que negoceiam tudo e é uma desgraça para quem revende”, continua, acrescentando que a Anarec está “altamente preocupada com o rumo das coisas”.

Como avançou o Diário Económico, o Pingo Doce está a testar a loja de conveniência Pingo Doce & Go nos postos da BP, com quem mantém uma parceria há dois anos através do cartão Poupa Mais (de descontos cruzados, por exemplo, compras nos supermercados que dão direito a desconto em combustível). A primeira unidade foi inaugurada a 18 de Março mas este ainda é um “projecto-piloto”. Contactada, a empresa diz que, estando em fase de teste, não há mais informação a adiantar.

A BP tem 258 lojas de conveniência na sua rede o que significa que 74% dos seus postos de abastecimento são complementados com esta oferta. “Desempenham um papel importante no desenvolvimento de uma relação de proximidade que queremos manter com os nossos clientes. As lojas de conveniência complementam a oferta no acto de consumo de combustível ou em localizações mais urbanas. Funcionam mesmo como alternativa às ofertas de cafetaria e refeições ligeiras existentes na restauração local”, garante fonte oficial da petrolífera de origem britânica. A associação ao Pingo Doce é, assim, “a evolução natural de uma parceria estratégica”, continua, acrescentando que com um total de 1,5 milhões de clientes o cartão dá “desta forma um novo passo”. A BP não adiantou qual o peso das lojas de conveniência nas vendas das estações de serviço e, questionada sobre a expansão do Pingo Doce & Go disse apenas que a decisão “será avaliada em função do resultado da loja piloto”.

Lojas Tangerina crescem 5%

A Galp há muito que tem uma parceria com a Sonae (dona do PÚBLICO), com quem criou a Sempre a Postos, empresa que fornece a maior parte dos produtos à venda nas lojas Tangerina e faz a gestão comercial dos postos de gestão directa (há outros que são geridos por revendedores). Fonte da petrolífera adianta que as vendas nestas lojas (um total de 255) ultrapassaram os 100 milhões de euros em 2014, um crescimento de 5,3% face a 2013. Não foi possível apurar o que isso representa no montante global das receitas dos 715 postos existentes em Portugal.

“As receitas obtidas com a venda de produtos nas lojas contribuem de forma importante para rentabilizar a operação das estações de serviço. Por outro lado, complementam a oferta que a Galp Energia coloca à disposição dos seus clientes, aumentando o nível do serviço”, sublinha a mesma fonte. A Galp diz que é a empresa que mais tem investido neste segmento em Portugal (tem 50% de quota na venda a retalho de combustível) “e continuará necessariamente a fazê-lo”. “Esta flexibilidade passa não apenas pela afinação do conceito das lojas e da gama de produtos e serviços disponíveis, mas também da própria localização”, diz a Galp.

Lá fora, grandes retalhistas como a Walmart também querem uma fatia deste negócio. Em Março do ano passado, a cadeia americana lançou a Walmart To Go no Estado do Arkansas, definida como um “híbrido”. “É uma loja de comida que vende combustível”, disse, na altura, Debra Layton, responsável pelos pequenos formatos da empresa. De acordo com a empresa de estudos de mercado Ibis World, apesar de a maioria das receitas das estações de serviço ser obtida com a venda de combustível, as petrolíferas e os revendedores estão a apostar cada vez mais em lojas de conveniência, cujos produtos são “mais rentáveis do que a própria gasolina”. Nos Estados Unidos este negócio vale 451 mil milhões de dólares (425 mil milhões de euros) e, desde 2010, tem crescido 3,7% ao ano.

Fonte: www.publico.pt




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